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Ei, apaga esse fake!

Nunca tive raiva de você. Você não me fez nada, nunca fui nada sua. Pra ser sincera, mal sorria pra você, mal fui sua conhecida, quem dirá amiga. Nunca fizemos parte da vida uma da outra, nunca tinha ouvido falar no seu nome. Você nunca me deveu nada. Bom, tem aquele lance da sororidade mas isso é pra quem quer praticar, não obrigação.

Hoje eu sei que eu achava que sabia de você, pensava de você e me fazia não simpatizar com você foi pura influência. De quem? Você pode imaginar. Eu era louca ai no seu lado, né?! Você também era louca aqui. É um tanto de adjetivos mais. Homem quando não tem argumento, chama logo mulher de louca, já leu isso por ai?! Pois é. Somos loucas, fomos loucas. Entre a gente e em muitas mesas de bar, jantares… Fui piada ai, cê foi piada aqui. Não é disputa, é horrível igual. Tô constatando os fatos.

O tempo passou, você ganhou. Ganhou? Sei lá. Deve ter levado alguma coisa disso, assim como eu levei também. O tempo passou mais ainda, o mundo rodou várias vezes. Esbarrei em você e você cismou comigo. Aquele dia não foi nada, foi só coisa da menina mimada que insiste em habitar aqui dentro. Passou, lembrei que sou adulta.

Tô falando na boa, sem soberba. Tem tanta vida por ai pra você viver, tanto cara gato pra você conhecer, tanta dança pra você dançar. Apaga esse fake, me esquece! Você não cansa de dizer que é feliz, vai viver isso intensamente, vai postar suas próprias fotos, vai viver!!! Essa coisa de ficar ai me assistindo todo dia é doentia. Nenhuma de nós precisa disso.

O tempo passou, a culpa não foi de nenhuma de nós duas, vida que segue!

E na próxima, não esquece: “desconfie quando ele te fala que a ex é louca, a próxima louca pode ser você”.

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Com quem eu falo?

Às vezes parece que, pra me proteger, eu entrei tão dentro de mim que acabou ficando difícil demais sair.

Sei lá, o mundo inteiro já doeu tanto que é mais fácil estar lá sem estar de verdade. E assim sigo colecionando momentos vazios de mim.

Como isso passa? Onde eu aperto pra querer viver? Veja bem, não é que eu queira morrer também, nunca foi o caso. Eu apenas não sei o que é viver. Fico nessa meio zumbi e vou indo… Um medo aqui, muitos livros ali, alguns filmes.

Como melhora? Quem resolve isso? Eu? Deus? O Universo?

Sempre andando em direção a lugar nenhum, sempre procurando sem saber o que quero achar. O tempo todo esperando um propósito aparecer e me transformar. Não é possível que seja só isso, só essa vida, só esse tanto de nada.

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Eu tô melhor sem você. E você sabe disso.

Gosto de fingir que você não existe. É meio triste porque houve um tempo que sua existência me dava vontade de sorrir e agora eu prefiro fingir que cê nem faz parte do mundo. Fazer o que se eu fico melhor assim? Se eu detesto quando calha de ter foto sua no meu feed, se não gosto muito de falar seu nome e se prefiro nem contar a nossa história…?! Você quem fez por onde, eu só segui o plano.

Por isso fico incomodada com essas suas aparições agora. Por isso eu desligo na sua cara e te bloqueio no whatsapp. Você me ofende pensando que vou apagar tudo e zerar nosso jogo outra vez. Não tem mais jogo, eu não sou mais criança!

Me deixa viver em paz, você já fez tanto, ainda precisa de mais?! Chega! Vai viver, tu sabe fazer isso bem. Me deixa aqui vivendo quietinha a vida bacana que eu tenho longe de você. Porque o adeus foi a melhor coisa que você já fez por mim, só Deus sabe quem eu seria agora se não fosse isso. Então, continua ai, bem longe, não existindo pra mim.

Esquece meu número, pode atravessar a rua ou virar a cara quando me ver, não precisa me dizer que tô linda. Não preciso de elogio seu.

Segue dai. Eu tô bem boa aqui. No fim das contas, quem diria, descobri que sou bem mais feliz sem você.

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Tudo bem se não der pra seguir o baile agora.

Hoje fala-se muito em seguir o baile. Eu queria te dizer que tá tudo bem se você ainda não conseguiu seguir o seu. Eu mesma já fiquei sozinha em bailes e lá permaneci. A música acabou, a luz acendeu, o gelo derreteu, a bebida esquentou e eu continuei no baile. Até quando? Até conseguir sair com minhas próprias pernas, sem ajuda, sem muleta. Porque aprendi que não adianta nada entrar no próximo baile se suas pernas ainda estiverem pesadas e doloridas do anterior.

Se você ainda não conseguiu seguir seu baile, tá tudo bem, eu juro! Cada um tem seu tempo e tem muito baile pra viver ao longo da vida. O importante é se recuperar, estar inteira pro que vem a seguir. Se cuidar, se amar e dançar muito, espantar os fantasmas, estar linda pro baile seguinte. Linda por você.

O que dá pra fazer agora é secar esse rosto, limpar essa maquiagem borrada, olhar em volta e acreditar com toda força do mundo que sim, você vai conseguir seguir o baile. Pode não ser nesse minuto, mas vai. Confia? Então combinadas.

Estou torcendo por você! Baile vazio é bom pra gente colar nossos pedacinhos sem que ninguém observe mas não deve ser ponto final, sai dai assim que der, logo que deixar de doer. Prometo que aqui fora tem baile de todo tipo pra você escolher!

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Mau hábito.

Eu sei que não é pra ser. E também sei o que é essa coisa louca que nos prende e vive fazendo a gente se esbarrar, é essa coisa imensa que quase toma forma quando surge dentro de um de nós dois e não passa até que a gente a alimente juntos, mas não é amor. Você sabe que não.

Em uma das últimas vezes que estivemos juntos, você me falou que sabia que ia casar comigo um dia. Que me via morando na sua casa e a gente tendo filhos. No dia seguinte, você não me deu nem oi. Não é amor. É posse. É hábito. É carência. É a gente se conhecer tão bem que dá preguiça de ir pro mundo conhecer outras pessoas do zero. Mas amor, meu bem… Isso não é mesmo!

E ai sabe o que eu acabei descobrindo? Que isso que a gente tem, sem amor, não me satisfaz. Não me completa. Não me enche os olhos. Sinto falta de sentir a barriga gelar quando você avisava que estava chegando, agora só coloco a mão na cabeça e penso “putz, tô indo fazer isso de novo”. Deixou de ser amor, aquele dia, uns anos atrás… Não é que não tenha sentimento bom, você sempre vai os ter de mim. Mas, sem amor, eu não preciso de você.

Então, vamos combinar?! Eu te deleto daqui, você me deleta dai. A gente esquece essa maluquice toda e segue o baile. Um dia, uma hora, quando tiver que ser, se tiver que ser… A gente se esbarra sem combinar. Ai, se lá for amor, a gente pensa no que faz. Mas agora? Eu cansei do nosso mau hábito.