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Eu prefiro continuar acreditando.

Somos uma geração de desacreditados. Muito Tinder e pouco olho no olho. É tudo rápido, sem charme e sem a menor esperança de futuro. Hoje um cara do Tinder me perguntou onde moro e logo em seguida me chamou pro cinema. Aposto que fez o convite pra outras 15. Cinema? Sem conversar? Sem saber nada um do outro? Pra mim não dá. Mas, te garanto, alguém aceitou o convite. É o que mais vejo acontecer. Muita intimidade física pra pouco conhecimento mútuo. Uma amiga andava saindo com o mesmo cara há uns dois meses, perguntei o dia do aniversário dele e ela não fazia a menor idéia. Nome da mãe? Muito menos! Não sei se eu que sou maluca mas não consigo passar dois meses beijando a mesma boca e não ter vontade de conhecer um pouco mais o outro. Eu costumava adorar conhecer pessoas. Só que ai elas ficaram vazias e eu desencantada. 

Nossa geração tem aplicativo pra paquera, aplicativo pra quem só quer sexo, aplicativo que dá a mensagem de amor pronta e acentuada de maneira incorreta (e o outro nem se dá ao trabalho de corrigir!). Nossa geração coleciona contatinho como se fossem medalhas de ouro. Contatinho pra que? Pra suprir a carência momentânea e depois sumir de novo. Até a próxima, baby! Esses dias me peguei reclamando que não tenho um contatinho nem pra me dar boa noite. Horas depois me toquei do que eu havia falado. Pra que eu quero o boa noite de um estranho, meu Deus? O conceito tá tão tatuado na gente, que até quem não gosta do movimento, acaba indo na onda.

Eu não quero contatinho só porque ando mais carente do que sei lá o que. Eu odeio usar o Tinder! Odeio as conversas vazias que morrem em dez minutos. Odeio me sentir pouco só porque não dei match com o cara gato que passou ainda agora.

Onde eu clico pra resgatar aquele bom e velho “ouvi essa música e lembrei de você”? Que aplicativo eu baixo pra encontrar quem queira sentar, ainda que seja no podrão da esquina, e conversar uma noite inteira? Veja bem, eu nem tô falando de namoro. Tô falando do antes disso, daquela coisa maravilhosa que a gente sente antes do primeiro beijo, do frio na barriga quando o nome da pessoa pisca na tela do celular, do sorriso bobo com qualquer bom dia. Tô falando daquela parte maravilhosa que é conhecer e se envolver pelo outro, antes mesmo da paixão.

Pra vocês terem idéia, menos de três meses atrás eu fiquei com um cara solteiro em uma festa e ele ficou insistentemente atrás de mim o próximo mês todo. Há duas semanas ele posta fotos sem parar com o novo amor da vida dele. Ou seja, enquanto ele insistia pra me ver, ele já estava conhecendo o amor da vida dele ou descobriu todo esse sentimento em, sei lá, 15 dias.

Somos a geração que banalizou o amor. O sexo, então…

Mas eu prefiro continuar acreditando. Quebrando a cara, passando por enormes períodos de seca braba, me sentindo muito sozinha, mas acreditando que ah, meu bem!, em algum lugar ai fora existe, pelo menos, uma pessoa que pensa assim também.

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