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Ainda não.

Eu quis tirar a prova.Cê foi minha pessoa favorita do mundo durante tantos anos, mesmo nos distantes, que eu quis tirar a prova. Quis saber se eu não ia mesmo te odiar nem depois de tantos danos. Nunca odiei, mas cara a cara é sempre diferente. E eu quis saber como seria.

No fim das contas, ainda tem muito da minha pessoa favorita do mundo ai. Foi quase como voltar pra casa. Mas também tem esse seu lado negro bizarro e errado e ele me faz te olhar meio torto e pensar que ainda não. Ainda não dá pra gente voltar a ser porto seguro um do outro. Ainda não dá pra eu te gritar quando preciso, ainda não quero saber seus segredos. É fácil, né?! A gente sai contando tudo um pro outro e se atropelando e falando até do que não deveria.

Mas ainda não. 

Eu quis tirar a prova. E descobri que um dia vai dar sim, pra te chamar pra tomar um chopp e ouvir da sua vida. Abençoar suas escolhas, aplaudir suas vitórias.

Mas cê ainda é leviano, meu bem. Ainda gosta de brincar de amores. E eu não quero ser a pessoa que tem como pessoa favorita no mundo um cara meio babaca. Mas a babaquice também passa, eu sei. Nesse dia, eu te abro os braços e falo olhando no seu olho “ainda bem que cê voltou”. 

Até lá, juízo, não morre, se cuida. Tem essa partezinha de mim que só fica em paz sabendo que cê existe e tá por ai. Eu gosto das possibilidades, sabe?!

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Pra dizer que tô errada.

Eu sou egoísta.Você sabe disso mas eu precisava colocar assim, em palavras claras e assumidas, pra poder começar a deixar de ser. Você não é propriedade minha. Além do mais, eu que fui embora. Sua vida precisa seguir, eu entendo. Mas descobri que sou egoísta, detestei te ver vivendo. Saber que existe vida pra você sem mim. É bom que exista mas eu não queria saber.

Vou melhorar, vou enfiar na cabeça que ninguém é dono de ninguém, muito menos a pessoa que decidiu ir embora. Vou aprender com meus erros e abençoar suas escolhas. Mas antes, meu bem, eu precisava te contar sobre o tamanho do meu egoísmo. Talvez por hábito, sempre te contei tudo, afinal. Talvez porque você seja a pessoa que mais me incentiva a mudar. 

Vai ser foda, vida que segue é muito mais fácil na teoria. Eu posso surtar, posso falar meia dúzia de besteiras. Mas saiba desde já que estou lutando contra o monstrinho do egoísmo. Você não fez nada de errado, eu que escolhi esse caminho, no fim das contas.

É bizarro que eu queira abraçar o mundo enquanto espero que você esteja deitado olhando minhas fotos, não é? Então eu não vou fazer mais isso. Vou acabar com esse sentimento escroto de que tenho algum direito sobre você e vou pro mundo, como eu queria. Vai também, independente do que eu possa falar de agora em diante. Se joga na vida, se perde, se encontra, vai ser feliz. E se nessas voltas malucas que o universo dá, a gente se esbarrar de novo, eu prometo já não ser mais a egoísta que sou hoje.

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Não sou de preencher vazios.

Era pra você me conhecer melhor que isso e saber que clichê barato não iria me emocionar. Justo comigo, meu bem?! Respeita meu amor próprio!! Tá te faltando colo? Acabaram seus abrigos temporários? Sua saudade tá sem nome? Não me procure só porque já fui boa com seus vazios. Não sou carta curinga pra só preencher espaço de ninguém, vindo de você chega a ser insulto. Não me queira só porque seu querer se perdeu na confusão que você mesmo faz. Lembra o que eu disse no dia que você foi embora?! Eu não sou mulher de tempo, de tapar buracos, de cobrir carências. Te acostumaram a brincar com a vida alheia, você é bom nisso, eu vi. Mas com a minha, não mais. Então, não me procura só porque você precisa que alguém te arranque uns sorrisos e te faça se sentir um príncipe outra vez. A princesa virou rainha de si mesma.

Não me procure porque faltou cumplicidade ou porque você gosta de intimidade. O que a gente tinha já não existe, desconfio que tenha sequer existido. Não conheço você, então não me procura, não, mesmo que te falte o ar ou um amigo.

Depois de você houveram uns tantos outros e eu nunca consegui ser eu mesma. O último te chama até de fantasma. Você mudou meu jeito de ver as coisas, tirou minhas lentes cor de rosa pro mundo. Então, não queira minha companhia só porque eu deixo tudo colorido. Não me queira só porque eu costumava entender até o que você não falava, não faço mais questão de te desvendar. Você minou meu entusiasmo.

Então, amor, não me procure só porque te faltou amor. Finge com outra pessoa, eu sei que você é bom nisso.

Quero que você seja feliz. Que seja verdade. Que seja mais do que foi até agora. Só não quero estar ai pra ver, ainda que te falte platéia. 

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Agora que não dói mais.

Você destruiu meu coração. Com todo o exagero que ser dramática me permite, eu te digo que você quase acabou comigo. O namorado a gente supera, uma, dez, cinquenta vezes. Mas tirar o melhor amigo de uma garota do jeito que seu jeito sem jeito fez… Você me quebrou em um milhão de pedacinhos e eu levei tanto tempo me recolando, dessa vez sozinha, que agora quase dói falar com você.Não dói porque passou, porque eu te desculpei sozinha, porque eu aprendi a ser forte. Mas a ameaça da dor me incomoda. Me encolho toda esperando doer e não dói. Ontem quis te falar todos os palavrões que conheço, fazer um escândalo, chorar e espernear como você está acostumado, mas ai não doeu e eu consegui, quem diria, até ser sensata. 

Você pisou no meu coração do jeito destrambelhado que está acostumado a levar a vida e eu precisei de muito colo, abraço, cerveja e paciência pra descobrir quem eu era não podendo mais ser a princesa daquele conto de fadas inventado.

Hoje eu sei. Eu sou. Estou caminhando para ser. Mas eu sei. Sou forte, consigo sozinha, não preciso correr pra ninguém, nem pedir socorro. Foi isso que aprendi. 

De erro em erro, nós escrevemos uma história maluca e bem bizarra que me deixou no fundo do poço. E doeu. Nossa, como doeu. Acho que nem se eu quisesse, conseguiria descrever. Mas, meu bem, sou boa de aprender. Aprendi.

E enquanto você quase me dói e eu consigo ser sensata, percebo que ter o coração destruído por você foi muito triste, mas me fez ser quem eu sou agora, estar onde eu estou. E bom, eu gosto de mim agora. Obrigada por isso.

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Eu te amei, agora vou ser feliz.

Eu amei você enquanto deu. Até sentir que estava morrendo aos poucos, até meu amor próprio me dar tchau e virar as costas. Eu te amei enquanto doeu, enquanto agonizou, enquanto sufocou. Você espalhou que nem queria mais o meu amor e eu continuei amando. Boba, fraca e sem força de vontade. Achava que enquanto continuasse remando, nosso barco não afundaria, cega pra realidade de que eu já estava até afogada, quase morta.

Você me matou de jeitos que nem consigo explicar. Matou quem eu era, o respeito que eu tinha por mim mesma, todas as minhas amizades e, pior, me tirou a vontade de ser do mundo. Eu sempre fui do mundo e você me arrancou isso. Porque não era coisa de boa moça, porque mulher sua não era do mundo. Mulher sua tinha que ficar em casa te esperando voltar. E, logo eu, criada pra gargalhar disso, me vi presa na armadilha.

Eu te amei presa, burra e cheia de esperanças de que logo, logo você voltaria a ser aquele cara com o sorriso lindo e as palavras doces. Quanta ilusão…

Mas tudo bem, meu bem, tem uma galera que diz que o que não é bênção, é lição. Demorei a me livrar de você mas agora… sou livre! Minha, do mundo, das festas, e de quem eu bem quiser! 

Sua passagem por aqui quase acabou comigo mas não acabou e agora eu só quero saber de construir meu próprio barco, porque se eu não curtir a viagem sozinha, outro alguém só vai fazer incomodar, assim como, no fim das contas, você incomodou.

Sorte pra você. E que você tenha paz a ponto de me vez sendo feliz e me deixar em paz!